terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Controle Remoto...

Ansiedade, preguiça e desatenção, desses três defeitos que eu possuo não sei qual deles é o pior.
Mas o fato é que, se não fossem por eles eu teria economizado um bom dinheiro esse final de semana.
Há mais ou menos uns quatro meses (para mais do que para menos) que eu perdi o controle remoto da minha TV.
Pode parecer bobagem, mas é realmente um saco ter que levantar para ajeitar o volume, mudar o canal e quando bate o sono desligar a TV.
Há umas duas semanas eu deixei a preguiça de lado e virei o quarto do avesso atrás dele. Encontrei a tampinha de pôr a pilha, mas o controle não.
Esse final de semana eu precisava ir ao centro para comprar um sapato e ao passar por uns vendedores ambulantes lembrei do querido controle.
Fui até uma lojinha em que vendiam controles e solicitei um:
- Bom dia, queria um controle remoto para TV Sony.
- Qual o modelo da sua TV?
- Não sei, mas meu controle era igual aquele ali.
- Aquele ali é para DVD e não TV.
- Mas é igual.
- Então leve esse, qualquer coisa tu troca.
Paguei, agradeci e fui pra casa. Coloquei as pilhas e nada da TV ligar.
Fiquei irritada e resolvi voltar lá no centro imediatamente para trocar o controle, antes que a preguiça batesse.
Fui pra parada, entrei no ônibus, 20 depois, quando eu estava chegando no centro, lembrei que havia deixado o controle que comprei na frente do móvel da TV.
Respirei fundo, ansiosa já para acabar com essa “novela”, liguei o foda-se e entrei na loja pra comprar outro controle. Azar. Ia resolver aquilo naquela tarde!
Entrei na loja pela segunda vez:
- Olá, o controle não funcionou e eu esqueci ele me casa, preciso de outro.
- Qual o modelo da TV?
(Respirei fundo pela segunda vez. Eu tinha esquecido de ver essa merda também)
- Esqueci de olhar. Me dá um que tu saiba que é certo que vai funcionar.
Comprei o segundo controle e fui pra casa.
Chegando em casa estava meu irmão mexendo na tv com o PRIMEIRO controle que comprei. Eu tinha apenas posto as pilhas errado.
Respirei fundo pela terceira vez naquele dia e aceitei que tinha gasto 35 reais a mais sem necessidade por ser ansiosa e desatenta.
No dia seguinte resolvi fazer um almoço bem legal para meu irmão e fui no mercado comprar os ingredientes. Num dos corredores vi aqueles “Vanishs” em promoção e lembrei que tinha algumas roupas brancas para lavar e que eu não lavava por falta de Vanish. Comprei.
Quando cheguei em casa percebi que a embalagem de Vanish estava furada e metade do conteúdo tinha vazado na sacola.
QUE FINAL DE SEMANA MEUS AMIGOS!
Peguei aquela sacola do mercado, com raiva da vida já e despejei o vanish vazado num balde. Abri o balaio de roupas brancas e comecei a jogar as blusas no balde com certa agressividade.
Eis que quando puxo um lençol branco do balaio voa longe o Bendito controle, perdido há mais ou menos quatro meses.

Fim.

Pensando melhor, meu pior defeito com toda a certeza é a preguiça, porque se eu tivesse com minha roupa lavada em dia, nunca teria ficado mais de 4 meses sem controle e ainda teria economizado R$ 65,00 reais.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Tudo o que pertence aprisiona...

As pessoas anseiam por ter sua liberdade roubada. É algo que não entendem, que possuem e não sabem o que fazer com ela. É o tesouro da leveza de espírito e da consciência que é entregue ao outro sem arrependimentos, por vontade própria.
Porém a necessidade de controle remanesce e para fugir da loucura que o descontrole trás, fazemos uso da liberdade alheia para nos trazer equilíbrio. Podamos o que (ou quem) achamos desnecessário, acrescentamos o que achamos essencial. Moldamos o outro à nossas próprias vontades como se não dispuséssemos de um corpo próprio e inteiro 24h por dia para tomar conta.
Na verdade não ansiamos pelo roubo, ansiamos pela troca.
Parece tão mais amplo e mágico poder controlar o que o outro faz que acabamos por nos ocupar cada vez mais do outro e esquecer cada vez mais de nós mesmos. Afinal, o outro precisa atender às nossas idealizações para ser amado.
Nos preocupamos tanto em controlar o outro e nos deixar controlar que esquecemos de que tudo o que pertence aprisiona.
É a conveniência que encobre a posse.
O possuir traz sensação de falso poder, falsa autoafirmação, pois nada é teu de verdade.
A única coisa que de fato lhe pertence é consciência do que é o mundo e quem somos nele.
E quem somos afinal, se não paramos para nos olharmos no espelho e enxergar quem realmente somos? Se não dedicamos tempo para nos transformarmos em quem realmente queremos? Se não nos permitimos controlar nossa própria liberdade com a finalidade de conhecer (e expandir) nossos limites?
Como amar a si mesmo se sequer sabemos quem somos?
Mas preferimos deixar isso como tarefa do outro, que também foge da própria percepção na ilusória procura de si mesmo num corpo alheio.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Coragem, Força e Completude...

Era uma vez um rapaz e uma moça que tiveram seus caminhos lado a lado por um tempo de suas vidas, mas que foram se distanciando com o passar dos dias.
Ele seguiu seu caminho, deixou ela para trás. Já ela jamais o esqueceu, por mais longe que os caminhos estivessem, ela sentia como se seus corações estivessem lado a lado.
Os anos passaram.
Um belo dia ela, que por tanto tempo tinha sido feliz com o fantasma da presença dele, acordou inquieta. E cansada de alimentar seu amor com esperança, pensamentos e fantasias, marcou um encontro com ele.
O Relógio corria depressa naquele dia, junto com a ansiedade e um outro sentimento ainda incompreendido dentro dela.
Depois de tanto tempo eles se veriam de novo.
Seria tudo como nos velhos tempos? Seria tudo mais frio? A intimidade que sempre se fez tão intensa ainda se faria presente? Haveria mais silencio do que diálogos?
Ela respirou fundo, o coração batia nervoso.
Ele chegou, sorriu e entrou.
Não houve silencio, ou desconforto. Praticamente tudo o que sempre existiu ainda ali permanecia. Menos o essencial, mas isso era apenas um detalhe naquele momento.
O dia amanheceu.
Ela despertou e junto dela uma certa inquietação.
À tarde ele resolveu ir embora. Ela então sentiu o que esteve presente desde o início, sutil demais para se apresentar com força.
O fim.
Eles se despediram, ela olhou ele nos olhos e pediu mais um beijo. Lá no fundo agora ela entendia, aquele seria o último.
Ela foi para o quarto e chorou. Chorou como há muito tempo não chorava. Não por ele, mas pela sensação de vazio que havia dentro dela. Era um vazio tão grande, como se existisse literalmente um buraco do tamanho de uma bola de basquete no peito dela.
Ela não entendia o que significava aquela sensação, ela se culpava por ter visto ele, pois até então as coisas estavam bem.
No outro dia quando acordou o vazio permanecia ali.
“Como lidar com isso? ”, ela se perguntava, ela simplesmente não sabia o que fazer com tanto vazio dentro dela. Era angustiante demais se sentir assim. Não havia vontade de nada dentro dela.
Ela já não queria trabalhar, sair de casa, ver pessoas, interagir com o mundo. O vazio a tomou por inteiro.
Primeiro ela decidiu apenas aceitar e conviver com aquilo, mas lhe era ruim demais.
Então ela resolveu preencher aquele vazio de alguma forma.
Ela procurou os amigos, o carinho deles, o sorriso, os brindes. Não adiantou, pelo contrário, em certos momentos ela sentia até um certo desconforto em impor a sí mesma uma interação social que lá no fundo ela não queria.
Ela decidiu, por fim, preencher o vazio com ela mesma. Mesmo sem vontade ela voltou a fazer as coisas que ela gostava. Estudar música, ler em cafés, ir ao cinema sozinha, praticar esportes. Ela se ocupou tanto de si mesma que mal sobrava tempo para os amigos. Ela se perdoou por isso e resolveu não se obrigar a mais nada. Ela só saia quando ela realmente queria ver um deles. E os via um de cada vez, aproveitando ao máximo a cia de quem ela gostava.
E o buraco aos poucos foi diminuindo até que um dia ela acordou e conseguiu, finalmente, respirar fundo de novo. Se sentindo inteira, completa e em paz.
E ao respirar em paz ela entendeu tudo de forma clara e se sentiu realmente feliz por ter feito aquele convite há meses atrás.
Quando a gente ama alguém e cultiva sentimentos por esse alguém, esses sentimentos vão crescendo e ocupam espaços dentro de nós que nem sequer imaginamos. E é quando dizemos adeus definitivamente que descobrimos, é quando o outro vai embora que percebemos tamanho do vazio que ele deixou. Por isso que é tão difícil dizer adeus. Nós temos medo do vazio que ficará dentro do peito e de não sabermos qual a melhor forma de preenche-lo.

É preciso coragem para deixar ir.
É preciso força para seguir em frente.
É preciso completude, pois só quando se é inteiro se é feliz de verdade.

A felicidade anda em par...

A primeira vez que te vi
Tua beleza me deixou boba
Tamanha alegria que senti
Te dei meus olhos pra tomares conta.

Te ver foi encanto
Foi canto
Melodia em piano

Em meus olhos és fantasia
Duas luas tocando o mar
Na minha boca poesia
Embriagada de luar.

Cada traço,
Risco de compasso
Que me fazem suspirar

Quisera eu poder te admirar
de aurora a aurora
Enamorar a memória
Para te poder sonhar

És distração
Meu devaneio a cada entardecer
Sentimento que faz fugir a razão
Porque lembrar é não ver.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Me amar mais? Como assim?...


Existem muitas pessoas que, assim como eu, já passaram (ou ainda passam) por problemas de valorização em seus relacionamentos.
Aquele sofrimento de se doar imensamente e receber quase nada em troca.
Eu sempre me encaixei fácil nesse perfil.
Eu fazia de tudo para agradar quem estava comigo. Desmarcava compromissos para encaixar um convite de última hora do crush na minha agenda. Deixava de comprar algo para mim, para dar AQUELE presente. Assistia sempre os filmes e séries que agradavam o outro, porque geralmente o meu gosto não era “tão cool”. Ouvia muito e falava pouco. Não cobrava nada além de uma cia nas horas boas, mesmo sabendo que havia dias ruins em que eu realmente precisava de alguém. Aceitava atitudes que me magoavam porque a felicidade do outro era mais importante que a minha.
Eu acreditava tolamente que o amor do outro por mim um dia cresceria e a pessoa me valorizaria se eu fosse boa o suficiente para isso, me culpando quando isso não acontecia. E isso sempre acontecia.
E em todos os términos eu ouvia sempre a mesma frase dos meus amigos: “Tu precisa se amar mais e se valorizar”. Ok, eu acreditava nisso, mas nunca entendia como que isso funcionava.
Realmente, anos atrás eu me olhava no espelho e não me sentia bonita, ou não conseguia ficar sozinha em casa. Mas hoje em dia eu me acho bonita, eu adoro minha cia... Então eu me amo, certo? Por que as coisas continuam iguais? Eu preciso me amar mais? Como assim?
Foi então que um dia eu li uma frase tão elucidativa que foi como um soco no estomago. Foi esclarecedor, foi. Mas doeu. Muito.
A frase dizia assim: “How you love yourself is how you teach others to love you. ” (Como você se ama é como você ensina os outros a amar você.)
Então eu me dei conta de que sempre que eu conhecia alguém eu me anulava totalmente, ou seja, a forma como eu “me amava” era essa. Eu me largava de mão completamente, não estava nem aí. Eu não ligava se eu me magoava com atitudes alheias, eu não ligava para os meus gostos, vontades, ou necessidades e sempre colocava o outro em primeiro lugar. E estas eram sempre minhas queixas quanto ao comportamento dos outros comigo:
“Fulana nunca faz nada pra me agradar. ”
“Fulano está sempre fazendo algo que me magoa e nem se importa. ”
“Cicrana sempre me trata com indiferença. ”
“Cicrano nunca valorizou quem eu sou de verdade. ”
Eu percebi que se o jeito que eu me amo é como eu ensino os outros a me amar, realmente, do jeito que as coisas estavam eu nunca seria feliz com ninguém. Eu não seria feliz nem sozinha, para início de conversa.
Nesse momento eu parei tudo.
Dei um reset em todos os relacionamentos e pseudo-relacionamentos que já não estavam mais funcionando (amores e amizades) e decidi recomeçar "do zero".
Passei a me questionar e atender às respostas desses questionamentos:
O que EU gosto de ouvir, assistir e ler?
O que EU gosto de vestir?
O que EU gostaria de ganhar de natal?
Quais os lugares que EU aprecio ir e como EU gostaria de me portar nestes lugares?
Quais as coisas que EU gosto de fazer?
Quais os amigos que me respeitam, apoiam e me amam como eu sou?
Quais minhas metas para 2017?
Durante esse processo (que levou meses) eu me recriei, reformulei e valorizei de uma forma absurda. Eu me identifiquei com coisas e me conectei com pessoas de uma forma que jamais imaginaria. Eu me permiti isso. E isso não só trouxe alegria e paz para a minha vida, como também me fez mais forte.
Hoje em dia eu não aceito pessoas egoístas e treteiras no meu círculo de amizades e relacionamento nenhum vai pra frente comigo se não há respeito e reciprocidade.
E a cada dia que passa eu me escuto mais, me conheço um pouco melhor e me dou uma atenção muito maior do que a que eu sempre quis que os outros dispensassem a mim.
A vida de alguém que se “se ama”, como meus amigos aconselhavam, é muito mais solitária e calma do que se imagina, porque alguém legal, que te ame, respeite e valorize não se encontra a cada esquina (as vezes, em festas principalmente, me sinto como se eu estivesse cercada de gente babaca). Mas não é uma vida ruim não, muito pelo contrário, nunca fui tão feliz na minha vida como sou hoje.
No final o X da questão não é se você “se ama”, mas sim de qual maneira você se ama.
Se pergunte vez ou outra qual a importância que você dá para você mesma, do que você gosta, o que te faz feliz. Se permita conhecer quem você é e também construir quem você é de uma forma que lhe dê orgulho ao se olhar no espelho todos os dias. 
Você vai ver que as pessoas legais que entrarem na sua vida vão te olhar com outros olhos e vão te tratar muito melhor; e as que não forem legais não vão durar muito. Porque quando você se gosta, você não aceita e nem aguenta ter gente babaca por perto.

No mais seja bom, a gente atrai o que transmite. (: