quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Em meados de abril...

Que lição me traz o vento
Que trazia teu perfume tão doce
E hoje passa tão alheio
Quanto tua saudade do meu nome

Quando a porta se fechou
Nada se ouviu
Nenhuma lagrima rolou
Em meados de abril

Não há mais lírios na janela,
Não há mais cartas no portão
A mesma luz que iluminava a blusa dela
Hoje é sombria escuridão

Foi felicidade que passou
Foi uma folha que caiu
Foi o outono que chegou
Em meados de abril

segunda-feira, 31 de julho de 2017

É preciso liberdade para compreender...

Eu estava em busca da minha liberdade quando te encontrei. Me vi pela primeira vez livre e ao mesmo tempo amando com cada pequeno órgão do meu corpo.
Ao entrar em minha vida você foi um sonho bom, como quando sonhei que tinha ganhado uma passagem para Londres e chegando lá estavam gravando um filme do Tarantino. Aquele sonho que você acorda desejando que tivesse sido verdade. Que fosse verdade um dia. Mas nunca é.
Te conhecer não foi tão bonito assim. Não foi poesia, nem sonho bom. Mas foi real. Foi ter a pessoa dos meus sonhos em carne e osso. Com mais erros que acertos, com mais indiferença que cuidado, com mais silencio que diálogos, com mais saudade que abraços, com mais desculpas que surpresas, com mais fantasias de um final feliz do que com a realidade de um sonho bom.
Palavras soltas sobre sentimentos mantidos presos por tanto tempo que já se cobrem de pó nas estantes do peito. Guardados na tentativa de sufocar a dor de não ter reciprocidade nos olhos de quem se ama.
Sabemos que a dor nunca vem sozinha, junto dela sempre vem um aprendizado. Mas é preciso aprender a libertar-se. Não só o corpo, mas também o que se sente.
Só no exercício da liberdade compreendemos por inteiro.
E foi quando me libertei que aprendi que cada um oferece o que tem.
Então perdoei a mim mesma por ter aceitado tão pouco, me desculpei com você por ter exigido muito mais do que você jamais seria capaz de me dar e segui meu caminho.
Porque a vida sempre segue.
Por mais difíceis que sejam alguns dias, a vida é realmente linda e ela te ensina a viver se você viver tempo suficiente para aprender.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O que fica depois do adeus...

Quem quer ser feliz tem pressa, talvez seja por isso que a ansiedade domina a gente tão fácil quando a tristeza não vai embora no dia seguinte.
O adeus não vem em doses homeopáticas, de forma a te preparar para o fim. O Adeus é frio. E instantâneo.
A gente as vezes até disfarça, mas a gente sabe que dói dizer adeus. Sair da vida do outro, não faz o outro sair da nossa na mesma hora.
É difícil colocar o sentimento no bolso e seguir a vida. Essas coisas levam tempo.
É difícil voltar atrás quando se expande um sentimento.
A gente sabe que não se consegue seguir em frente de um dia para o outro, mas a gente tenta. Muitas vezes se afastando de todas as formas possíveis.
A gente exclui o outro das redes sociais. Deixa de frequentar os mesmos lugares. Às vezes muda até o caminho de casa, porque a última coisa que você quer é a imagem do outro te lembrando do amor que ainda existe, contido de todas as formas, dentro do peito.
A gente balança a cabeça como se pudéssemos afastar os pensamentos assim como afastamos o pó dos móveis com um espanador. Aquele sorrisinho forçado para o vento, como se essa história toda fosse uma sátira contada pela vida.
A gente diz para nós mesmos que está tudo bem e repetimos isso quantas vezes for preciso para acreditarmos.
E então ignoramos tudo o que sentimos, como se ignora aquelas chuvas finas de verão na pressa de chegar ao trabalho. Porque é fácil ignorar.
É fácil pensar em qualquer coisa que não seja ela.
É fácil fingir não sentir.
Mas volta e meia o coração sobrecarrega, o sentimento transborda pelos olhos e lá está você mais uma vez agradecendo às lagrimas por não deixarem vestígios quando vão embora.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Quando a saudade não vai embora...

Ouvi dizer que quando a gente não entende a separação ainda tem esperança.
Ouvi dizer que depois da tempestade haveria bonança.
Quando as palavras deixaram de ser poesia para serem apenas frases soltas?
Quando seu olhar deixou de cruzar o meu para admirar o chão quando eu passo?
Quando minha voz, meu abraço e meu sorriso deixaram de ser parte do seu dia?
Quando deixei de fazer parte da realização seus desejos mais íntimos?
Quanto tempo já faz desde que seu jeito tímido e delicado deu lugar a uma estupidez insensível e impaciente?
Quanto tempo já faz desde a última vez que seu abraço foi sincero e seu choro consolado?
Quando tempo já faz desde que você pôde confiar em alguém para contar os segredos mais doloridos?
Me perco em lembranças antigas, quando você adormecia nos meus braços e me acordava com beijos.
Me perco pensando nos dias em que passávamos horas fazendo absolutamente nada com alegria.
Aqueles cafés da manhã na cama, as jantas, os cinemas e festas parecem que aconteceram todos dentro de um sonho bom. Mas até os sonhos têm sido meus inimigos. Me trazem você de formas inusitadas e te levam embora sem nem ao menos me dar a chance de despedida.
E o sono vira despertar.
E a madrugada vira manhã.
E o cansaço toma seu lugar cativo na minha rotina.

A saudade é ardilosa, usa das boas lembranças para nos trazer dor ao coração e o que antes adoçava a vida, hoje amarga a garganta sem hesitação.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Tudo o que pertence aprisiona...

As pessoas anseiam por ter sua liberdade roubada. É algo que não entendem, que possuem e não sabem o que fazer com ela. É o tesouro da leveza de espírito e da consciência que é entregue ao outro sem arrependimentos, por vontade própria.
Porém a necessidade de controle remanesce e para fugir da loucura que o descontrole trás, fazemos uso da liberdade alheia para nos trazer equilíbrio. Podamos o que (ou quem) achamos desnecessário, acrescentamos o que achamos essencial. Moldamos o outro à nossas próprias vontades como se não dispuséssemos de um corpo próprio e inteiro 24h por dia para tomar conta.
Na verdade não ansiamos pelo roubo, ansiamos pela troca.
Parece tão mais amplo e mágico poder controlar o que o outro faz que acabamos por nos ocupar cada vez mais do outro e esquecer cada vez mais de nós mesmos. Afinal, o outro precisa atender às nossas idealizações para ser amado.
Nos preocupamos tanto em controlar o outro e nos deixar controlar que esquecemos de que tudo o que pertence aprisiona.
É a conveniência que encobre a posse.
O possuir traz sensação de falso poder, falsa autoafirmação, pois nada é teu de verdade.
A única coisa que de fato lhe pertence é consciência do que é o mundo e quem somos nele.
E quem somos afinal, se não paramos para nos olharmos no espelho e enxergar quem realmente somos? Se não dedicamos tempo para nos transformarmos em quem realmente queremos? Se não nos permitimos controlar nossa própria liberdade com a finalidade de conhecer (e expandir) nossos limites?
Como amar a si mesmo se sequer sabemos quem somos?
Mas preferimos deixar isso como tarefa do outro, que também foge da própria percepção na ilusória procura de si mesmo num corpo alheio.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Coragem, Força e Completude...

Era uma vez um rapaz e uma moça que tiveram seus caminhos lado a lado por um tempo de suas vidas, mas que foram se distanciando com o passar dos dias.
Ele seguiu seu caminho, deixou ela para trás. Já ela jamais o esqueceu, por mais longe que os caminhos estivessem, ela sentia como se seus corações estivessem lado a lado.
Os anos passaram.
Um belo dia ela, que por tanto tempo tinha sido feliz com o fantasma da presença dele, acordou inquieta. E cansada de alimentar seu amor com esperança, pensamentos e fantasias, marcou um encontro com ele.
O Relógio corria depressa naquele dia, junto com a ansiedade e um outro sentimento ainda incompreendido dentro dela.
Depois de tanto tempo eles se veriam de novo.
Seria tudo como nos velhos tempos? Seria tudo mais frio? A intimidade que sempre se fez tão intensa ainda se faria presente? Haveria mais silencio do que diálogos?
Ela respirou fundo, o coração batia nervoso.
Ele chegou, sorriu e entrou.
Não houve silencio, ou desconforto. Praticamente tudo o que sempre existiu ainda ali permanecia. Menos o essencial, mas isso era apenas um detalhe naquele momento.
O dia amanheceu.
Ela despertou e junto dela uma certa inquietação.
À tarde ele resolveu ir embora. Ela então sentiu o que esteve presente desde o início, sutil demais para se apresentar com força.
O fim.
Eles se despediram, ela olhou ele nos olhos e pediu mais um beijo. Lá no fundo agora ela entendia, aquele seria o último.
Ela foi para o quarto e chorou. Chorou como há muito tempo não chorava. Não por ele, mas pela sensação de vazio que havia dentro dela. Era um vazio tão grande, como se existisse literalmente um buraco do tamanho de uma bola de basquete no peito dela.
Ela não entendia o que significava aquela sensação, ela se culpava por ter visto ele, pois até então as coisas estavam bem.
No outro dia quando acordou o vazio permanecia ali.
“Como lidar com isso? ”, ela se perguntava, ela simplesmente não sabia o que fazer com tanto vazio dentro dela. Era angustiante demais se sentir assim. Não havia vontade de nada dentro dela.
Ela já não queria trabalhar, sair de casa, ver pessoas, interagir com o mundo. O vazio a tomou por inteiro.
Primeiro ela decidiu apenas aceitar e conviver com aquilo, mas lhe era ruim demais.
Então ela resolveu preencher aquele vazio de alguma forma.
Ela procurou os amigos, o carinho deles, o sorriso, os brindes. Não adiantou, pelo contrário, em certos momentos ela sentia até um certo desconforto em impor a sí mesma uma interação social que lá no fundo ela não queria.
Ela decidiu, por fim, preencher o vazio com ela mesma. Mesmo sem vontade ela voltou a fazer as coisas que ela gostava. Estudar música, ler em cafés, ir ao cinema sozinha, praticar esportes. Ela se ocupou tanto de si mesma que mal sobrava tempo para os amigos. Ela se perdoou por isso e resolveu não se obrigar a mais nada. Ela só saia quando ela realmente queria ver um deles. E os via um de cada vez, aproveitando ao máximo a cia de quem ela gostava.
E o buraco aos poucos foi diminuindo até que um dia ela acordou e conseguiu, finalmente, respirar fundo de novo. Se sentindo inteira, completa e em paz.
E ao respirar em paz ela entendeu tudo de forma clara e se sentiu realmente feliz por ter feito aquele convite há meses atrás.
Quando a gente ama alguém e cultiva sentimentos por esse alguém, esses sentimentos vão crescendo e ocupam espaços dentro de nós que nem sequer imaginamos. E é quando dizemos adeus definitivamente que descobrimos, é quando o outro vai embora que percebemos tamanho do vazio que ele deixou. Por isso que é tão difícil dizer adeus. Nós temos medo do vazio que ficará dentro do peito e de não sabermos qual a melhor forma de preenche-lo.

É preciso coragem para deixar ir.
É preciso força para seguir em frente.
É preciso completude, pois só quando se é inteiro se é feliz de verdade.

A felicidade anda em par...

A primeira vez que te vi
Tua beleza me deixou boba
Tamanha alegria que senti
Te dei meus olhos pra tomares conta.

Te ver foi encanto
Foi canto
Melodia em piano

Em meus olhos és fantasia
Duas luas tocando o mar
Na minha boca poesia
Embriagada de luar.

Cada traço,
Risco de compasso
Que me fazem suspirar

Quisera eu poder te admirar
de aurora a aurora
Enamorar a memória
Para te poder sonhar

És distração
Meu devaneio a cada entardecer
Sentimento que faz fugir a razão
Porque lembrar é não ver.